Na Estrada
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Paixão por
pilotar caminhões

Eu tinha apenas 12 anos quando o meu amor pelos esportes de velocidade começou. Morava nos Estados Unidos e, naquela época, costumava assistir aos campeonatos californianos de bicicross, que eram transmitidos pela televisão. Aquelas imagens me atraíram desde sempre. Quando jovem, já no Brasil, convenci meu pai a comprar uma moto. Ele me deu uma “cinqüentinha”, que eu costumava pilotar no sítio. Apesar da baixa potência, eu a adorava.

Anos mais tarde troquei de moto, e o motocross tornou-se minha paixão. Participei de importantes campeonatos brasileiros, mas acreditava que viver deste esporte seria muito difícil, por isso nunca deixei os estudos de lado. Fiz curso técnico em mecânica, ingressei na universidade e me formei em Engenharia Civil, profissão na qual atuei por 15 anos.

Mas a paixão pelas corridas tornou-se tão forte que, em 1988, resolvi participar pela primeira vez do Rally dakar. Fui o primeiro brasileiro a competir na disputa e, até hoje, já foram 10 atuações nas motos (com uma vitória), uma participação pilotando carros e outras nove nos caminhões, com 2º, 4º e 5º lugares alcançados.

Um dos momentos mais marcantes da minha carreira foi a mudança da categoria motos para a dos caminhões. Na primeira vez que participei do Rally dakar, ainda na motocicleta, um caminhão enorme me ultrapassou a mais de 160 km/h, espirrando pedras para todo lado. Fiquei intrigado: como um veículo tão grande conseguia andar naquela velocidade? Foi assim que nasceu a minha vontade de pilotar um caminhão.

Dez anos mais tarde, a equipe Petrobras Lubrax, na época formada apenas por pilotos de carro e moto, convidou-me para finalmente pilotar um caminhão em provas de alta competitividade, como o Rally dos Sertões e o próprio dakar. Aceitei na hora.



Miniatura do caminhão Tatra confeccionada
por um fã na República Tcheca: realismo

Sem fronteiras

Nestes anos de estrada, o que me deixa muito contente é o reconhecimento do público. Quando paro o veículo de competição nos Truck Centers espalhados pelo País, os outros motoristas vêm conversar para saber que tipos de pneus eu uso, a pressão que utilizo e a potência do caminhão, entre outras curiosidades comuns. Quando visito o estande da Pirelli nas feiras técnicas, as pessoas também vêm falar comigo, e isso é muito bacana! Alguns pedem para subir no caminhão e tirar fotos, e quando não temos bons resultados também nos dão apoio. Por onde passo, vejo o carinho das pessoas que acenam.

No Dakar deste ano, ganhei uma miniatura do meu caminhão feita por um fã que mora na República Tcheca. O mais interessante é que o rapaz fez uma cópia fiel à realidade do meu veículo que, no ano passado, perdeu uma parte da traseira, devido aos rigores da prova. É gratificante ver que o nosso trabalho alcança o coração das pessoas, mesmo além das fronteiras.


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