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Aquecimento global
e sustentabilidade entram
na pauta do transportador

Clima ameaçado traz oportunidade de encontrar boas soluções. Guerra ao desperdício energético inclui planejamento, tecnologia e créditos de carbono



Quem viu o filme de ficção “Mad Max”, que há 30 anos tornou Mel Gibson famoso, deve ter pensado que o roteirista estava exagerando. O filme mostrava um futuro sinistro: tudo seria reduzido a um deserto, onde as pessoas viveriam em guerra por um litro de gasolina.

A julgar pelo que os cientistas da ONU anunciaram em fevereiro deste ano, a história do filme foi café pequeno perto do que realmente pode acontecer, por causa do aumento continuado da temperatura média do planeta (o famoso aquecimento global).

Neste caso, a vida real está superando a ficção: segundo o estudo revelado recentemente, pode-se esperar fortes ondas de calor, ciclones, furacões, inundações e tsunamis em várias partes do planeta, bem como o derretimento das calotas polares, o que pode fazer oceanos avançarem sobre cidades litorâneas. Na visão dos cientistas, este processo também deve trazer ao mundo falta de água e de alimento, seguida pela proliferação de epidemias. Não admira que o mundo todo (literalmente) parou para pensar. E encontrar soluções.


Por que a temperatura sobe

Ao contrário do que pode parecer, o efeito estufa, cuja alteração por ações humanas está provocando o aquecimento global, é útil para a vida como ela é na Terra hoje. Trata-se de um fenômeno natural que existe há milhões de anos e mantém o planeta aquecido. O professor da USP Américo Kerr, especialista em física da poluição do ar, lembra que se não existisse esse aquecimento natural avalia-se que a superfície terrestre, que hoje apresenta temperatura média de 14,5ºC, seria em torno de 18ºC negativos. “Sem o efeito estufa, a vida na Terra não seria possível”, diz o professor.

O problema é que o homem moderno passou a lançar na atmosfera um volume muito grande de gases de efeito estufa (GEEs), e com isso o planeta está se tornando cada vez mais quente, num processo que muitos especialistas consideram irreversível e que pode levar à extinção da vida na Terra (veja ilustração acima).

Gases de efeito estufa, sobretudo o dióxido de carbono (também conhecido como gás carbônico ou CO2), formam uma camada de poluentes de difícil dispersão, que não permite a saída da radiação solar, causando o efeito estufa. Segundo estudo das Nações Unidas, a temperatura média do planeta já subiu 6ºC no século 20 e pode subir mais 5,8ºC até 2100, se nada for feito para deter o processo.

Pesquisadores do clima afirmam que este fenômeno está ocorrendo em razão do aumento de poluentes, principalmente dos gases derivados da queima de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, carvão, etc.).

A ação das indústrias, as atividades da construção e a devastação de florestas também colaboram para este processo. Embora as grandes cidades emitam maiores quantidades de CO2, as conseqüências negativas atingem todas as regiões. Segundo dados da Convenção das Nações Unidas, a cada 20 anos os níveis de CO2 na atmosfera estão
aumentando em 10%.


O que o transportador precisa saber

Diante deste impasse, os países têm procurado instrumentos para combater esta ameaça global. O Protocolo de Kyoto, em vigor desde fevereiro de 2005, é o mais importante deles. O Tratado pretende reduzir as emissões de carbono, particularmente as geradas por atividades industriais e veículos de transporte.

Estas ações parecem chegar em boa hora. Estudo realizado no ano 2000 pelo Programa de Engenharia de Transportes da COPPE/UFRJ da Universidade Federal do rio de Janeiro concluiu que, caso o Brasil seja obrigado a reduzir suas emissões de GEEs em decorrência de acordos internacionais, o setor de transporte rodoviário deve ser priorizado.

De acordo com o estudo, dentre todos os setores da economia, os transportes urbano e rodoviário mostraram-se responsáveis por mais da metade das emissões de CO2 originadas da queima de combustíveis fósseis na cidade do rio de Janeiro.


Aos transportes também é atribuída a maior parte das emissões de outros GEEs, como o monóxido de carbono, os óxidos de nitrogênio e de enxofre, os aldeídos e o material particulado. No estudo, apesar de responderem por 32% das emissões de CO2, os automóveis se beneficiam do uso do álcool combustível, deixando o posto de maior poluidor da cidade para o transporte de cargas e passageiros, com 28,6% das emissões (veja gráfico acima).

Segundo o Conpet, em nível nacional o setor de transporte responde por cerca de metade do consumo interno de derivados de petróleo. No Brasil, 96% dos passageiros e 62% das cargas são movimentadas por veículos a diesel. Além disso, grande parte da frota nacional tem idade média elevada, o que também se reflete em mais emissões de CO2 por veículo.


Futuro do transporte mundial

Divulgado no começo de maio, o terceiro estudo da ONU sobre as mudanças climáticas revelou que em 2004 o setor de transportes concentrou 26% de toda a energia utilizada no mundo. E informou que o consumo global dos transportes deve aumentar 2% ao ano.

O documento prevê que, em 2030, de todo o combustível consumido mundialmente pelo setor de transportes, os biocombustíveis poderão representar 3% – ou até 10%, se for imposta uma multa de 25 dólares por tonelada de dióxido de carbono emitida.

Por outro lado, medidas como a adoção de novos padrões de consumo e o uso de equipamentos mais leves ou com melhor aerodinâmica poderão dobrar a eficiência energética dos novos veículos, diminuindo em cerca de 50% as emissões globais, prevê o estudo da ONU.

Seqüestro de carbono é só o começo

Recuperar o CO2 proveniente da queima de combustível por caminhões e ônibus. Apesar de ser apenas uma entre muitas soluções possíveis, esta atitude vem sendo apoiada tanto por frotistas quanto pelas montadoras. Algumas empresas já possuem estratégias para neutralizar as emissões que suas frotas proporcionam: é o chamado “seqüestro” de carbono. Esta atitude é importante para evitar o agravamento do efeito estufa, gerado por poluentes como o dióxido de carbono.

Com esse objetivo, o programa Florestas do Futuro, da SOS Mata Atlântica, realiza parcerias com empresas de diversos campos de atuação para o reflorestamento de áreas de preservação permanente, como bacias hidrográficas e mananciais.

O grupo Martins, um dos maiores distribuidores atacadistas do País, é um dos entusiastas do projeto e estabelece o plantio de árvores por meio do apoio financeiro como uma norma para a compra de seus caminhões. A divisão de Caminhões e Ônibus da Volkswagen vendeu 160 caminhões para a distribuidora de Uberlândia (MG), com o compromisso de plantar 12 árvores para cada unidade comercializada. Também a Iveco, subsidiária da Fiat, vendeu 183 caminhões para o grupo Martins, desta vez com o objetivo de plantar nove mil árvores em Minas Gerais.


    

As soluções são emergentes
Os resultados, permanentes

“É possível reduzir emissões usando biocombustíveis. Mas também com materiais mais leves, calibragem de pneus e roteamento adequado”
Prof. Suzana Ribeiro, COPPE/UFRJ


Alinhamento de eixos do semi-reboque: economia de pneus e combustível

Biodiesel
Relatório do Painel intergovernamental de Mudanças Climáticas (iPCC) da ONU divulgado no início de maio afirma que é fundamental encontrar alternativas ao petróleo e aos demais combustíveis fósseis que aceleram o aquecimento global. O iPCC recomenda o investimento e a adoção de energias alternativas, citando os biocombustíveis.

Combustíveis de origem vegetal, como o biodiesel e o álcool etílico, apresentam emissões zero ou próximas de zero. De acordo com dados da agência de Proteção Ambiental (EPA), o biodiesel permite redução de 95% nas emissões dos gases de efeito estufa (veja gráfico abaixo). “Biodiesel polui menos porque não tem enxofre”, ensina a professora Suzana Kahn ribeiro, do Programa de Engenharia de Transportes da COPPE/UFRJ.

A fabricante de motores Cummins, por exemplo, já aprovou o uso de misturas de biodiesel em até 20%, o chamado B20, em seus motores das séries ISX, ISM, ISl, ISC e ISB que rodam nos Estados Unidos. No Brasil, a empresa liberou o B5 em 2006 e pretende autorizar o uso do B20 em seus motores assim que concluir experiências sobre as variações na especificação do biocombustível.

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Redução de peso
Quanto menor for o peso morto do veículo, maior será sua capacidade de carga. resultado: caminhões e ônibus ficam mais leves a cada dia, modernizados por diversos componentes mais leves e mais resistentes, portanto mais ecológicos.

Entre os principais itens desta categoria estão as rodas forjadas de alumínio e os semi-reboques, carrocerias para ônibus e outros componentes laminados no mesmo material (veja as edições 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10 desta revista). A equação é direta e matemática: transportando mais em cada viagem, menos combustível será queimado para movimentar a mesma quantidade de carga. Quem agradece é o bolso do transportador – e o planeta também.

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Motores híbridos
Novos sistemas de propulsão já são realidade na Europa e também no Brasil. No ano passado, a Volvo revelou uma nova geração de veículos híbridos, movidos com motor diesel acoplado a um motor elétrico. A solução é direcionada para operações urbanas “anda-e-pára”, reduz em até 35% o consumo de diesel e garante emissões zero quando em ponto morto. A Volvo acredita que o conceito híbrido de propulsão pode ser uma verdadeira revolução, tanto para o meio ambiente quanto para o fluxo de caixa dos transportadores.

Em abril deste ano, o início de operações do Corredor Tiradentes colocou nas ruas de São Paulo 20 ônibus equipados com motores fornecidos pela empresa Eletra que utilizam este novo conceito de tração (Clique aqui e veja reportagem completa).

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Ônibus a GNV
Que tal um ônibus que una a força de um motor potente com níveis de emissões perto de zero? Para muitos especialistas, este é o veículo mais adequado para rodar nas grandes cidades.

Pensando em atender este desafio, a iveco trouxe para o Brasil o irisbus iveco Citelis, um modelo preparado para agradar a todos os aliados do meio ambiente. O veículo, fabricado na França pela irisbus (uma divisão da montadora), é movido a gás natural veicular (GNV) e apresenta excelente desempenho com baixo índice de emissão de poluentes.

Impossível de ser adulterado ou desviado, o GNV elimina a emissão de fumaça preta, dispensa a estocagem de combustível na frota e representa uma alternativa para o diesel no setor de transportes.

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Manutenção “radical”
“Monumentais”. é assim que o professor da USP Américo Kerr, autor de trabalhos sobre física da poluição do ar, classifica as perdas energéticas causadas muitas vezes pela manutenção insuficiente ou inadequada nos veículos.

Para ele, o frotista deve buscar uma regulagem de motores impecável e nunca fazer a substituição de filtros, especialmente catalisadores do sistema de exaustão, que pareça ser a mais econômica.

“É preciso manter todo o sistema funcionando bem, porque tudo acontece em cadeia: uma quebra no meio do percurso causada por má manutenção no mínimo vai gerar a movimentação de outro veículo para
socorrer aquele quebrado, consumindo combustível e, portanto, emitindo mais poluentes e gases de efeito estufa”, lembra o professor.

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Cuidados com o motor
É possível reduzir a emissão de poluentes simplesmente evitando que os motores da frota operem desregulados. Além do respeito ao meio ambiente, quem ganha mais é o próprio frotista, que evita: 1. desgaste precoce do motor, 2. consumo desnecessário de combustível, 3. consumo desnecessário de óleo lubrificante e 4. danos às peças do veículo.

É preciso checar se a regulagem das válvulas está sendo feita de forma
correta, trocar os filtros, substituir o óleo lubrificante, revisar o sistema de injeção e tirar amostra do óleo para análise. Se a amostra apresentar alto índice de metais, é sinal de motor desregulado. “Aconselhamos a seguir sempre os procedimentos de manutenção indicados nos manuais dos fabricantes”, adverte luís Chain, gerente de Marketing da Cummins.

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Reconstrução de pneus
Se bem administrados no uso, pneus podem ser o terceiro (ou quarto) custo da frota. Frotistas bem-sucedidos concordam que, para isso, é fundamental ter boas reconstruções, assim cada pneu alcançará o máximo de vidas possível. Uma boa técnica de reconstrução faz com que o descarte de carcaças se reduza ao mínimo. Menos carcaças na natureza e mais pneus na estrada significam menos energia usada na produção destes componentes. (Veja reportagem completa).

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Ar-condicionado ecológico
Checar o ar-condicionado dos veículos e do escritório é outra forma de ajudar o planeta. Os aparelhos tradicionais usam gases à base de cloro, enquanto os ecológicos usam o gás HFC, que não prejudica a camada de ozônio. O uso dos gases convencionais será proibido a partir de 2008. Confira se os seus já são ecológicos, para evitar multas.

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É hora de agir
Certas soluções podem ser
aplicadas a custo zero

“Este mundo é um só. Se não cuidarmos dele, não teremos outro. Não há estepe.”
Luis Guilherme Schnor, Supricel


Separação de água e óleo na Supricel: lubrificantes não se perdem no ambiente

Criatividade
Com boas idéias também se combate o aquecimento global. é isto que o grupo Supricel conseguiu provar, deixando de emitir 1.200 toneladas de CO2 na atmosfera somente em 2006. A empresa, que atua no mercado de logística, preparou e pretende lançar em breve o Passaporte Ambiental para seus colaboradores, fornecedores e clientes: todos poderão registrar no documento cada curso ou evento sobre preservação ambiental do qual vierem a participar.

“Mais do que conscientizar, nós queremos criar uma identidade ambiental para as pessoas”, explica luis Guilherme Schnor, diretor da Supricel. “Este mundo é um só. Se não cuidarmos dele, não teremos outro. Não há estepe.”

Investir em soluções inovadoras vem sendo uma constante para a Supricel nos últimos anos. A empresa recebeu o Prêmio Empresa Sustentável 2006 da Revista Meio Ambiente Industrial por seu desempenho ambiental, e no momento está comemorando uma redução de 30% nos custos com pneus graças à aplicação do programa de controle ECF, em parceria com a Pirelli.

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Iniciativa
Com quantos projetos se faz uma empresa ecologicamente correta? Não importa o número, o que importa é começar. A Transpesminas, por exemplo, implantou aos poucos uma série de ações com foco na preservação ambiental. Por exemplo: foram construídas caixas separadoras de água e óleo, para evitar o contato de substâncias contaminantes com a rede fluvial. Os veículos da frota são lavados com apoio de uma máquina que não gera vapores químicos. Já os lubrificantes e outros fluidos usados são cuidadosamente armazenados em um local específico, bem arejado. Bacias de contenção permitem que, em caso de vazamento, o produto seja recolhido, reduzindo o risco de incidentes que poderiam agredir o meio ambiente.

A Transpesminas também procura trabalhar com seus fornecedores para minimizar a geração de efluentes gasosos, líquidos e sólidos. Todos os pneus e baterias elétricas a serem descartados são recolhidos e destinados aos centros de coleta para o reaproveitamento adequado. Treinamento constante e coleta seletiva de lixo são outras ações “verdes” que a empresa promove de forma permanente.

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Recicláveis
Além de serem componentes automotivos, o que baterias, lonas de freio, óleos e fluidos lubrificantes, párabrisas, pneus e retrovisores plásticos têm em comum?

Resposta: todos são recicláveis. Isto significa que estes produtos devem ser descartados com toda a atenção, pois têm alto potencial de reaproveitamento em processos de remanufatura. Na Europa, atualmente 85% dos componentes de cada veículo novo são originários de partes recicladas de carros antigos.

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Planejamento
“Poderíamos reduzir muito as emissões de gases de efeito estufa se o transporte como um todo fosse mais eficiente”, lembra a professora Suzana Kahn ribeiro, do Programa de Engenharia de Transportes da COPPE/UFRJ.

“Muitas vezes, com um bom planejamento, um roteamento mais adequado, por exemplo, se consegue reduzir o consumo de combustível e, conseqüentemente, também as emissões de poluentes”, acrescenta.

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Suporte gratuito
A cada ano, 700 mil toneladas de CO2 deixam de ser emitidas graças aos esforços do EconomizAr, programa do
Conpet que oferece apoio técnico ao setor de transporte rodoviário (cargas e passageiros). O projeto busca racionalizar o consumo de óleo diesel e promover a melhoria da qualidade do ar, reduzindo a emissão de fumaça preta de ônibus e caminhões em todo o País. O total de combustível economizado é de 252 milhões de litros por ano, e com isso 19 mil toneladas de particulados deixam de ser lançados para a atmosfera. Mas o melhor é que aderir ao Programa Economizar não custa nada: as unidades móveis vão até as empresas, sem qualquer custo. Para participar, entre em contato com o sindicato filiado à CNT em sua região e solicite a visita de uma unidade móvel.

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IR Ecológico
Em julho de 2006, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou em Brasília um projeto que permite às empresas a dedução, do imposto de renda devido, de até 40% dos valores efetivamente doados a entidades sem fins lucrativos que promovam o uso sustentável dos recursos naturais. No momento, o projeto está seguindo os trâmites normais e precisa passar por outras cinco etapas para entrar em vigor. Todo apoio da sociedade é bem-vindo.

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O que o transportador pode
fazer agora para combater o
aquecimento global

Na frota

•• Calibre os pneus pelo menos uma vez por semana. Pneus descalibrados aumentam o consumo de combustível
•• Faça revisões periódicas de
motor, freios e embreagem. Veículos desregulados poluem mais
•• Alinhe regularmente os eixos dos cavalos mecânicos, semi-reboques e ônibus
•• Utilize pneus reconstruídos
com tecnologias que aumentem a quilometragem rodada
•• Abasteça somente em locais de confiança, onde não haja risco de adulteração do combustível
•• Trace rotas sem desvios de pedágios. Devido à má conservação das vias alternativas, demora-se mais para chegar ao destino. No final não há economia, mas sim maior consumo
•• Faça uma manutenção “radical”. Veículos parados no meio da viagem geram o triplo de emissões
•• Procure reduzir o peso dos veículos, optando por componentes mais leves
•• Encaminhe pneus, lubrificantes, baterias e lonas de freio usados aos estabelecimentos de descarte competentes

Na empresa

•• Separe o lixo reciclável. Esta atitude faz muita diferença
•• Economize papel. Evite imprimir sem necessidade
•• Instale painéis solares para aquecer a água. No longo prazo, você economizará energia e dinheiro
•• Plante árvores. Elas são aspiradores naturais de gás carbônico
•• Adquira aparelhos eficientes
no consumo de eletricidade
•• Utilize lâmpadas fluorescentes
compactas. Elas consomem 75% menos energia que as outras
•• Mantenha o ar-condicionado
à sombra e regulado a 25ºC
•• Prefira abastecer automóveis com álcool e não com gasolina
•• Forme uma comissão para verificar como sua empresa pode economizar energia
•• Participe de projetos de preservação ambiental. Faz bem para a imagem da empresa e traz retorno financeiro
•• Analise o potencial de sua empresa para gerar créditos de carbono. Esta atividade pode beneficiar o planeta e ainda proporcionar renda extra


    

Frota que economizar
só tem a ganhar

“100 empresas brasileiras já estão vendendo créditos de carbono por poluir menos. Agora é a vez do transporte”
Ricardo Gustav Neuding, ATA Participações

A Companhia de Transporte Metropolitano de Bangalore (BMTC), da Índia, pode ser uma das primeiras empresas de transporte do mundo a ter um projeto aprovado no Protocolo de Kyoto. Sua proposta (troca de diesel comum por uma mistura com 20% de biodiesel) está sendo avaliada desde 29 de abril deste ano. Se aprovada, a empresa receberá créditos de carbono – documentos que valem dinheiro, comprados por empresas da Europa e do Japão, por exemplo, que precisam emitir gases de efeito estufa além de suas cotas
(veja quadro abaixo).

Com este projeto, a BMTC pretende deixar de emitir anualmente 2.784 toneladas de CO2. Uma economia assim dá a ela o direito de receber 2.784 créditos de carbono, ou quase 53 mil euros (cerca de 145 mil reais)** por ano. A BMTC, que tem 280 ônibus na frota, espera receber estes créditos durante um período de 10 anos.

(**) Cotações: 10 de maio/2007


A vez do Brasil

“As empresas brasileiras têm potencial para obter créditos de carbono, inclusive no setor de transporte”, afirma ricardo Gustav Neuding, da ATA Participações, consultoria especializada neste mercado. Segundo ricardo, 100 projetos brasileiros já foram registrados pelo protocolo de Kyoto. E, no total, entre projetos registrados e aqueles que se encontram em avaliação, são 300 as propostas encaminhadas por empresas brasileiras.

“Há uma grande demanda por créditos de carbono nos países da Europa, além do Japão e Canadá”, observa ricardo. “Estes países têm metas rígidas de diminuição de suas emissões de gases de efeito estufa”, conta. “Ou eles reduzem suas emissões ou compram crédito dos países que têm condições de fazer isso, como o Brasil”, expõe. O consultor se refere aos países do chamado Anexo 1, que assinaram o Protocolo de Kyoto e estão controlando as emissões de CO2 das empresas instaladas em seu território.



Potencial crescente

Diretor executivo da Carbotrader, Arthur Augusto Clessie de Moraes lembra que, com o maior rigor internacional no combate aos gases do efeito estufa, há um um potencial crescente no setor de transportes para o mercado de carbono. A Carbotrader também atua na área de projetos ambientais.

“É preciso pensar primeiro na sustentabilidade e não no ganho financeiro”, orienta Arthur. “As empresas precisarão dos créditos de carbono para repor os gastos adicionais que irão ocorrer, a fim de viabilizar a sustentabilidade do negócio”, equaciona. “Além disso, há ganhos também para a imagem da empresa”.

Os consultores acreditam que os grandes frotistas devem dar atenção cada vez maior a este assunto, buscando adotar soluções que envolvam tecnologias ambientalmente melhores. Para os pequenos, uma possibilidade é se associar a outros frotistas, formando parcerias em um único projeto. Com isso se reduzem os custos, e depois os benefícios podem ser divididos entre as empresas participantes.


Boas notícias

No início de maio, o Banco Mundial informou que o mercado global de carbono triplicou, passando de 11 bilhões de dólares em 2005 para 30 bilhões de dólares em 2006. Uma boa notícia que se juntou a outra, pois o relatório divulgado pelo Painel intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU mostrou que ainda é possível deter o agravamento do aquecimento global. Se todos trabalharmos nisso agora, é claro.

Veja mais

100 projetos
brasileiros já foram registrados no
protocolo de Kyoto

300 empresas
do Brasil já encaminharam projetos,
que estão sendo avaliados

US$ 30 bilhões
foi o total movimentado no mercado
global de carbono em 2006
(Fonte: Banco Mundial)

BMTC, da Índia
poderá ser a primeira transportadora do
mundo a receber créditos de carbono



Como obter créditos de carbono*

1. Prepara-se um documento dentro dos padrões definidos pelo Protocolo de Kyoto. Este projeto deve apresentar as atividades realizadas pela empresa que geram emissões de gases de efeito estufa, e uma proposta de ação para reverter este quadro

2. Para ser validado, o projeto deverá ser avaliado por uma empresa independente de auditoria, credenciada pelo Protocolo de Kyoto

3. O projeto é enviado para a Comissão interministerial de Mudança Global do Clima, em Brasília, para ser aprovado – o que pode levar de um a dois meses

4. Uma vez aprovado, o projeto é enviado à sede do Mecanismo de Desenvolvimento limpo (MDl), na cidade de Bonn, Alemanha. Este órgão, que pertence ao protocolo de Kyoto, avalia as propostas do mundo todo. A resposta chega ao solicitante em aproximadamente três meses. Se o projeto for aprovado, a empresa autora passa a estar habilitada a emitir, ano a ano, as reduções Certificadas de Emissões (RCE), conforme o efetivo desempenho do que foi proposto. São os chamados “créditos de carbono” – ativos ambientais que poderão ser vendidos a empresas que necessitam deles para cumprir suas obrigações de redução de emissões de gases de efeito estufa.

(*) Os créditos de carbono são ativos de valor flutuante no mercado, por isso estão sujeitos à valorização ou desvalorização


    

Uma empresa
de alma verde

“Nosso objetivo é reunir parceiros em projetos em prol do meio ambiente, buscando uma política internacional”

Nicolò Dubini, diretor-executivo da Pirelli Ambiente

O grupo Pirelli está tão comprometido em contribuir para a preservação dos recursos naturais do nosso planeta que criou uma empresa só para cuidar disso. é a Pirelli Ambiente, divisão do grupo Pirelli responsável pela criação de soluções em sintonia com o ideal do desenvolvimento sustentável.

Em outras palavras, o trabalho da Pirelli Ambiente é pesquisar, produzir e promover o uso de recursos energéticos inovadores, capazes de prover o bem-estar das pessoas, ao mesmo tempo em que reduzem o impacto ambiental. Trata-se de uma das mais expressivas ações já tomadas por uma única companhia na direção do combate ao aquecimento global.


Tecnologia para o meio ambiente

A presença da Pirelli no setor ambiental vem da consciência de que a correta gestão dos temas ambientais é um dos elementos-chave para o desenvolvimento sustentável do grupo.

Nascida no início de 2005, a Pirelli Ambiente oferece ao mercado uma linha de produtos de baixo impacto ambiental e altíssimo valor tecnológico, devido ao trabalho desenvolvido durante décadas pelos laboratórios Pirelli – que compõem o centro avançado de pesquisas do grupo.


GECAM™, o diesel branco


Mistura de 10% do “diesel branco” é capaz de reduzir em até 50% as emissões do diesel convencional, na Europa

“Diesel branco”. Assim está sendo chamado um dos mais promissores produtos da Pirelli Ambiente. Trata-se do GECAM™, um combustível de emulsão de baixo impacto ambiental que, quando utilizado na proporção de 10% em uma mistura com o diesel atualmente utilizado na Europa, é capaz de reduzir em até 50% as emissões de poluentes como particulados e dióxido de nitrogênio.

Premiado na edição de 2006 do Congresso Mundial de Energia renovável (WREC), o GECAM™ já está sendo utilizado em 10 mil ônibus e caminhões na itália, França, república Tcheca e China, e também em sistemas de aquecimento de 400 prédios privados e públicos, contribuindo para a diminuição da poluição em importantes áreas urbanas da Europa.

A Pirelli Ambiente informa que o “diesel branco” é uma solução economicamente competitiva, já que o produto vem sendo oferecido ao mercado nas mesmas condições comerciais, logísticas e de fornecimento do diesel convencional. Já existem 10 centros fabricando o Gecam™, sendo oito na itália, um na França e um na China.


Filtros avançados para o diesel



Catalisadores de última geração

Outra iniciativa da Pirelli Ambiente no campo da sustentabilidade dos transportes são os filtros especiais de pós-tratamento de gases de motores diesel. A empresa assinou, no final de 2006, um acordo para a construção de uma fábrica no sudoeste da romênia, onde produzirá catalisadores de última geração para motores a diesel, que serão utilizados pelas montadoras como equipamentos originais de seus veículos.

A construção da nova unidade começou em janeiro e o início das operações está previsto para o segundo semestre de 2008. Com duas linhas de produção, a Pirelli pretende produzir 1.300 toneladas de filtros de carbono por ano, empregando cerca de 400 pessoas.

Os catalisadores com filtros particulados são sistemas de tratamento com capacidade de eliminar mais de 90% das partículas que saem dos motores diesel, reduzindo de maneira significativa as emissões de gases de efeito estufa. São feitos de carbureto de silício poroso, um material único em termos de resistência ao calor e às mudanças bruscas de temperatura.


Menos lixo, mais energia

Com o objetivo de contribuir para a redução das emissões de CO2 em até 5 milhões de toneladas nos próximos cinco anos, a Pirelli Ambiente irá produzir e fornecer, na Europa, América do Norte e Ásia, o Cdr-P – combustível de baixo custo obtido a partir do aproveitamento do lixo urbano. O Cdr-P pode substituir parcialmente o uso de combustíveis fósseis em fábricas de cimento e usinas termoelétricas, por exemplo. Além disso, o novo combustível contribui para a redução do acúmulo de lixo nos aterros.

Compromisso com o futuro do planeta

Soluções para o aquecimento global - responsável pela criação de produtos em sintonia com o ideal de desenvolvimento sustentável, a Pirelli Ambiente participou, em setembro de 2006, do segundo encontro da Clinton Global Initiative (CGi), em Nova York. Na ocasião, a empresa do Grupo Pirelli se tornou a primeira companhia italiana a estabelecer acordo com a organização fundada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, para o desenvolvimento de ações de sustentabilidade.

O evento reuniu mais de 1.000 líderes internacionais de diversos setores, incluindo 42 chefes de Estado, com o objetivo de identificar e aplicar soluções para problemas como aquecimento global, epidemias e pobreza. Ao todo, foram produzidos 215 acordos
equivalentes a mais de 7,3 bilhões de dólares.



Confira abaixo a lista das transportadoras, universidades, empresas de consultoria e organizações citadas na matéria

Transportadoras

Universidades

  • USP – Universidade de São Paulo – www.usp.br
  • COPPE – Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – www.coppe.ufrj.br
  • UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – www.ufrj.br

Empresas de consultoria

Organizações

  • ONU – Organização das Nações Unidas – www.onu-brasil.org.br
  • IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – www.ipcc.ch
  • EPA – Agência de Proteção Ambiental – www.epa.gov
  • CNT – Confederação Nacional do Transporte – www.cnt.org.br
  • Conpet – Programa nacional da racionalização do uso dos derivados do petróleo e do gás natural –www.conpet.gov.br

 


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