Aquecimento
global
e
sustentabilidade entram
na pauta do transportador
Clima
ameaçado traz oportunidade de encontrar boas soluções.
Guerra ao desperdício energético inclui planejamento,
tecnologia e créditos de carbono
Quem
viu o filme de ficção “Mad Max”,
que há 30 anos tornou Mel Gibson famoso, deve ter pensado
que o roteirista estava exagerando. O filme mostrava um futuro
sinistro: tudo seria reduzido a um deserto, onde as pessoas
viveriam em guerra por um litro de gasolina.
A
julgar pelo que os cientistas da ONU anunciaram em fevereiro
deste ano, a história do filme foi café pequeno
perto do que realmente pode acontecer, por causa do aumento
continuado da temperatura média do planeta (o famoso
aquecimento global).
Neste
caso, a vida real está superando a ficção:
segundo o estudo revelado recentemente, pode-se esperar fortes
ondas de calor, ciclones, furacões, inundações
e tsunamis em várias partes do planeta, bem como o
derretimento das calotas polares, o que pode fazer oceanos
avançarem sobre cidades litorâneas. Na visão
dos cientistas, este processo também deve trazer ao
mundo falta de água e de alimento, seguida pela proliferação
de epidemias. Não admira que o mundo todo (literalmente)
parou para pensar. E encontrar soluções.
Por que a temperatura sobe
Ao
contrário do que pode parecer, o efeito estufa, cuja
alteração por ações humanas está
provocando o aquecimento global, é útil para
a vida como ela é na Terra hoje. Trata-se de um fenômeno
natural que existe há milhões de anos e mantém
o planeta aquecido. O professor da USP Américo Kerr,
especialista em física da poluição do
ar, lembra que se não existisse esse aquecimento natural
avalia-se que a superfície terrestre, que hoje apresenta
temperatura média de 14,5ºC, seria em torno de
18ºC negativos. “Sem o efeito estufa, a vida na
Terra não seria possível”, diz o professor.
O
problema é que o homem moderno passou a lançar
na atmosfera um volume muito grande de gases de efeito estufa
(GEEs), e com isso o planeta está se tornando cada
vez mais quente, num processo que muitos especialistas consideram
irreversível e que pode levar à extinção
da vida na Terra (veja ilustração acima).
Gases
de efeito estufa, sobretudo o dióxido de carbono (também
conhecido como gás carbônico ou CO2),
formam uma camada de poluentes de difícil dispersão,
que não permite a saída da radiação
solar, causando o efeito estufa. Segundo estudo das Nações
Unidas, a temperatura média do planeta já subiu
6ºC no século 20 e pode subir mais 5,8ºC
até 2100, se nada for feito para deter o processo.
Pesquisadores
do clima afirmam que este fenômeno está ocorrendo
em razão do aumento de poluentes, principalmente dos
gases derivados da queima de combustíveis fósseis
(gasolina, diesel, carvão, etc.).
A
ação das indústrias, as atividades da
construção e a devastação de florestas
também colaboram para este processo. Embora as grandes
cidades emitam maiores quantidades de CO2, as conseqüências
negativas atingem todas as regiões. Segundo dados da
Convenção das Nações Unidas, a
cada 20 anos os níveis de CO2 na atmosfera
estão
aumentando em 10%.
O que o transportador
precisa saber
Diante
deste impasse, os países têm procurado instrumentos
para combater esta ameaça global. O Protocolo de Kyoto,
em vigor desde fevereiro de 2005, é o mais importante
deles. O Tratado pretende reduzir as emissões de carbono,
particularmente as geradas por atividades industriais e veículos
de transporte.
Estas
ações parecem chegar em boa hora. Estudo realizado
no ano 2000 pelo Programa de Engenharia de Transportes da
COPPE/UFRJ da Universidade Federal do rio de Janeiro concluiu
que, caso o Brasil seja obrigado a reduzir suas emissões
de GEEs em decorrência de acordos internacionais, o
setor de transporte rodoviário deve ser priorizado.
De
acordo com o estudo, dentre todos os setores da economia,
os transportes urbano e rodoviário mostraram-se responsáveis
por mais da metade das emissões de CO2 originadas
da queima de combustíveis fósseis na cidade
do rio de Janeiro.
Aos
transportes também é atribuída a maior
parte das emissões de outros GEEs, como o monóxido
de carbono, os óxidos de nitrogênio e de enxofre,
os aldeídos e o material particulado. No estudo, apesar
de responderem por 32% das emissões de CO2,
os automóveis se beneficiam do uso do álcool
combustível, deixando o posto de maior poluidor da
cidade para o transporte de cargas e passageiros, com 28,6%
das emissões (veja gráfico acima).
Segundo
o Conpet, em nível nacional o setor de transporte responde
por cerca de metade do consumo interno de derivados de petróleo.
No Brasil, 96% dos passageiros e 62% das cargas são
movimentadas por veículos a diesel. Além disso,
grande parte da frota nacional tem idade média elevada,
o que também se reflete em mais emissões de
CO2 por veículo.
Futuro do transporte mundial
Divulgado
no começo de maio, o terceiro estudo da ONU sobre as
mudanças climáticas revelou que em 2004 o setor
de transportes concentrou 26% de toda a energia utilizada
no mundo. E informou que o consumo global dos transportes
deve aumentar 2% ao ano.
O
documento prevê que, em 2030, de todo o combustível
consumido mundialmente pelo setor de transportes, os biocombustíveis
poderão representar 3% – ou até 10%, se
for imposta uma multa de 25 dólares por tonelada de
dióxido de carbono emitida.
Por
outro lado, medidas como a adoção de novos padrões
de consumo e o uso de equipamentos mais leves ou com melhor
aerodinâmica poderão dobrar a eficiência
energética dos novos veículos, diminuindo em
cerca de 50% as emissões globais, prevê o estudo
da ONU.
Seqüestro
de carbono é só o começo
Recuperar
o CO2 proveniente da queima de combustível
por caminhões e ônibus. Apesar de ser apenas
uma entre muitas soluções possíveis,
esta atitude vem sendo apoiada tanto por frotistas quanto
pelas montadoras. Algumas empresas já possuem
estratégias para neutralizar as emissões
que suas frotas proporcionam: é o chamado “seqüestro”
de carbono. Esta atitude é importante para evitar
o agravamento do efeito estufa, gerado por poluentes
como o dióxido de carbono.
Com
esse objetivo, o programa Florestas do Futuro, da SOS
Mata Atlântica, realiza parcerias com empresas
de diversos campos de atuação para o reflorestamento
de áreas de preservação permanente,
como bacias hidrográficas e mananciais.
O
grupo Martins, um dos maiores distribuidores atacadistas
do País, é um dos entusiastas do projeto
e estabelece o plantio de árvores por meio do
apoio financeiro como uma norma para a compra de seus
caminhões. A divisão de Caminhões
e Ônibus da Volkswagen vendeu 160 caminhões
para a distribuidora de Uberlândia (MG), com o
compromisso de plantar 12 árvores para cada unidade
comercializada. Também a Iveco, subsidiária
da Fiat, vendeu 183 caminhões para o grupo Martins,
desta vez com o objetivo de plantar nove mil árvores
em Minas Gerais. |
As
soluções são emergentes
Os
resultados, permanentes
“É
possível reduzir emissões usando biocombustíveis.
Mas também com materiais mais leves, calibragem de
pneus e roteamento adequado”
Prof. Suzana Ribeiro, COPPE/UFRJ
Alinhamento
de eixos do semi-reboque: economia de pneus e combustível |
Biodiesel
Relatório do Painel intergovernamental de Mudanças
Climáticas (iPCC) da ONU divulgado no início
de maio afirma que é fundamental encontrar alternativas
ao petróleo e aos demais combustíveis fósseis
que aceleram o aquecimento global. O iPCC recomenda o investimento
e a adoção de energias alternativas, citando
os biocombustíveis.
Combustíveis
de origem vegetal, como o biodiesel e o álcool etílico,
apresentam emissões zero ou próximas de zero.
De acordo com dados da agência de Proteção
Ambiental (EPA), o biodiesel permite redução
de 95% nas emissões dos gases de efeito estufa (veja
gráfico abaixo). “Biodiesel polui menos
porque não tem enxofre”, ensina a professora
Suzana Kahn ribeiro, do Programa de Engenharia de Transportes
da COPPE/UFRJ.

A
fabricante de motores Cummins, por exemplo, já aprovou
o uso de misturas de biodiesel em até 20%, o chamado
B20, em seus motores das séries ISX, ISM, ISl, ISC
e ISB que rodam nos Estados Unidos. No Brasil, a empresa liberou
o B5 em 2006 e pretende autorizar o uso do B20 em seus motores
assim que concluir experiências sobre as variações
na especificação do biocombustível.
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Redução
de peso
Quanto menor for o peso morto do veículo, maior será
sua capacidade de carga. resultado: caminhões e ônibus
ficam mais leves a cada dia, modernizados por diversos componentes
mais leves e mais resistentes, portanto mais ecológicos.
Entre
os principais itens desta categoria estão as rodas
forjadas de alumínio e os semi-reboques, carrocerias
para ônibus e outros componentes laminados no mesmo
material (veja as edições 4, 5, 6, 7, 8, 9 e
10 desta revista). A equação é direta
e matemática: transportando mais em cada viagem, menos
combustível será queimado para movimentar a
mesma quantidade de carga. Quem agradece é o bolso
do transportador – e o planeta também.
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Motores
híbridos
Novos sistemas de propulsão já são realidade
na Europa e também no Brasil. No ano passado, a Volvo
revelou uma nova geração de veículos
híbridos, movidos com motor diesel acoplado a um motor
elétrico. A solução é direcionada
para operações urbanas “anda-e-pára”,
reduz em até 35% o consumo de diesel e garante emissões
zero quando em ponto morto. A Volvo acredita que o conceito
híbrido de propulsão pode ser uma verdadeira
revolução, tanto para o meio ambiente quanto
para o fluxo de caixa dos transportadores.
Em
abril deste ano, o início de operações
do Corredor Tiradentes colocou nas ruas de São Paulo
20 ônibus equipados com motores fornecidos pela empresa
Eletra que utilizam este novo conceito de tração
(Clique aqui e veja reportagem
completa).
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Ônibus
a GNV
Que tal um ônibus que una a força de um motor
potente com níveis de emissões perto de zero?
Para muitos especialistas, este é o veículo
mais adequado para rodar nas grandes cidades.
Pensando
em atender este desafio, a iveco trouxe para o Brasil o irisbus
iveco Citelis, um modelo preparado para agradar a todos os
aliados do meio ambiente. O veículo, fabricado na França
pela irisbus (uma divisão da montadora), é movido
a gás natural veicular (GNV) e apresenta excelente
desempenho com baixo índice de emissão de poluentes.
Impossível
de ser adulterado ou desviado, o GNV elimina a emissão
de fumaça preta, dispensa a estocagem de combustível
na frota e representa uma alternativa para o diesel no setor
de transportes.
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Manutenção
“radical”
“Monumentais”. é assim que o professor
da USP Américo Kerr, autor de trabalhos sobre física
da poluição do ar, classifica as perdas energéticas
causadas muitas vezes pela manutenção insuficiente
ou inadequada nos veículos.
Para
ele, o frotista deve buscar uma regulagem de motores impecável
e nunca fazer a substituição de filtros, especialmente
catalisadores do sistema de exaustão, que pareça
ser a mais econômica.
“É
preciso manter todo o sistema funcionando bem, porque tudo
acontece em cadeia: uma quebra no meio do percurso causada
por má manutenção no mínimo vai
gerar a movimentação de outro veículo
para
socorrer aquele quebrado, consumindo combustível e,
portanto, emitindo mais poluentes e gases de efeito estufa”,
lembra o professor.
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Cuidados
com o motor
É possível reduzir a emissão de poluentes
simplesmente evitando que os motores da frota operem desregulados.
Além do respeito ao meio ambiente, quem ganha mais
é o próprio frotista, que evita: 1.
desgaste precoce do motor, 2. consumo desnecessário
de combustível, 3. consumo desnecessário
de óleo lubrificante e 4. danos às
peças do veículo.
É
preciso checar se a regulagem das válvulas está
sendo feita de forma
correta, trocar os filtros, substituir o óleo lubrificante,
revisar o sistema de injeção e tirar amostra
do óleo para análise. Se a amostra apresentar
alto índice de metais, é sinal de motor desregulado.
“Aconselhamos a seguir sempre os procedimentos de manutenção
indicados nos manuais dos fabricantes”, adverte luís
Chain, gerente de Marketing da Cummins.
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Reconstrução
de pneus
Se bem administrados no uso, pneus podem ser o terceiro (ou
quarto) custo da frota. Frotistas bem-sucedidos concordam
que, para isso, é fundamental ter boas reconstruções,
assim cada pneu alcançará o máximo de
vidas possível. Uma boa técnica de reconstrução
faz com que o descarte de carcaças se reduza ao mínimo.
Menos carcaças na natureza e mais pneus na estrada
significam menos energia usada na produção destes
componentes. (Veja reportagem
completa).
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Ar-condicionado
ecológico
Checar o ar-condicionado dos veículos e do escritório
é outra forma de ajudar o planeta. Os aparelhos tradicionais
usam gases à base de cloro, enquanto os ecológicos
usam o gás HFC, que não prejudica a camada de
ozônio. O uso dos gases convencionais será proibido
a partir de 2008. Confira se os seus já são
ecológicos, para evitar multas.
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É
hora
de agir
Certas
soluções podem ser
aplicadas
a custo zero
“Este
mundo é um só. Se não cuidarmos dele,
não teremos outro. Não há estepe.”
Luis Guilherme Schnor, Supricel
Separação
de água e óleo na Supricel: lubrificantes
não se perdem no ambiente |
Criatividade
Com boas idéias também se combate o aquecimento
global. é isto que o grupo Supricel conseguiu provar,
deixando de emitir 1.200 toneladas de CO2 na atmosfera
somente em 2006. A empresa, que atua no mercado de logística,
preparou e pretende lançar em breve o Passaporte Ambiental
para seus colaboradores, fornecedores e clientes: todos poderão
registrar no documento cada curso ou evento sobre preservação
ambiental do qual vierem a participar.
“Mais
do que conscientizar, nós queremos criar uma identidade
ambiental para as pessoas”, explica luis Guilherme Schnor,
diretor da Supricel. “Este mundo é um só.
Se não cuidarmos dele, não teremos outro. Não
há estepe.”
Investir
em soluções inovadoras vem sendo uma constante
para a Supricel nos últimos anos. A empresa recebeu
o Prêmio Empresa Sustentável 2006 da Revista
Meio Ambiente Industrial por seu desempenho ambiental,
e no momento está comemorando uma redução
de 30% nos custos com pneus graças à aplicação
do programa de controle ECF, em parceria com a Pirelli.
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Iniciativa
Com quantos projetos se faz uma empresa ecologicamente correta?
Não importa o número, o que importa é
começar. A Transpesminas, por exemplo, implantou aos
poucos uma série de ações com foco na
preservação ambiental. Por exemplo: foram construídas
caixas separadoras de água e óleo, para evitar
o contato de substâncias contaminantes com a rede fluvial.
Os veículos da frota são lavados com apoio de
uma máquina que não gera vapores químicos.
Já os lubrificantes e outros fluidos usados são
cuidadosamente armazenados em um local específico,
bem arejado. Bacias de contenção permitem que,
em caso de vazamento, o produto seja recolhido, reduzindo
o risco de incidentes que poderiam agredir o meio ambiente.
A
Transpesminas também procura trabalhar com seus fornecedores
para minimizar a geração de efluentes gasosos,
líquidos e sólidos. Todos os pneus e baterias
elétricas a serem descartados são recolhidos
e destinados aos centros de coleta para o reaproveitamento
adequado. Treinamento constante e coleta seletiva de lixo
são outras ações “verdes”
que a empresa promove de forma permanente.
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Recicláveis
Além de serem componentes automotivos, o que baterias,
lonas de freio, óleos e fluidos lubrificantes, párabrisas,
pneus e retrovisores plásticos têm em comum?
Resposta:
todos são recicláveis. Isto
significa que estes produtos devem ser descartados com toda
a atenção, pois têm alto potencial de
reaproveitamento em processos de remanufatura. Na Europa,
atualmente 85% dos componentes de cada veículo novo
são originários de partes recicladas de carros
antigos.
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Planejamento
“Poderíamos reduzir muito as emissões
de gases de efeito estufa se o transporte como um todo fosse
mais eficiente”, lembra a professora Suzana Kahn ribeiro,
do Programa de Engenharia de Transportes da COPPE/UFRJ.
“Muitas
vezes, com um bom planejamento, um roteamento mais adequado,
por exemplo, se consegue reduzir o consumo de combustível
e, conseqüentemente, também as emissões
de poluentes”, acrescenta.
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Suporte
gratuito
A cada ano, 700 mil toneladas de CO2 deixam de ser
emitidas graças aos esforços do EconomizAr,
programa do
Conpet que oferece apoio técnico ao setor de transporte
rodoviário (cargas e passageiros). O projeto busca
racionalizar o consumo de óleo diesel e promover a
melhoria da qualidade do ar, reduzindo a emissão de
fumaça preta de ônibus e caminhões em
todo o País. O total de combustível economizado
é de 252 milhões de litros por ano, e com isso
19 mil toneladas de particulados deixam de ser lançados
para a atmosfera. Mas o melhor é que aderir ao Programa
Economizar não custa nada: as unidades móveis
vão até as empresas, sem qualquer custo. Para
participar, entre em contato com o sindicato filiado à
CNT em sua região e solicite a visita de uma unidade
móvel.
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IR
Ecológico
Em julho de 2006, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou em
Brasília um projeto que permite às empresas
a dedução, do imposto de renda devido, de até
40% dos valores efetivamente doados a entidades sem fins lucrativos
que promovam o uso sustentável dos recursos naturais.
No momento, o projeto está seguindo os trâmites
normais e precisa passar por outras cinco etapas para entrar
em vigor. Todo apoio da sociedade é bem-vindo.
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O
que o transportador pode
fazer agora para combater
o
aquecimento global
|
Na
frota
••
Calibre os pneus pelo menos uma vez por semana.
Pneus descalibrados aumentam o consumo de combustível
•• Faça revisões periódicas
de
motor, freios e embreagem. Veículos desregulados
poluem mais
•• Alinhe regularmente os eixos
dos cavalos mecânicos, semi-reboques e
ônibus
•• Utilize pneus reconstruídos
com tecnologias que aumentem a quilometragem
rodada
•• Abasteça somente em locais
de confiança, onde não haja risco
de adulteração do combustível
•• Trace rotas sem desvios de pedágios.
Devido à má conservação
das vias alternativas, demora-se mais para chegar
ao destino. No final não há economia,
mas sim maior consumo
•• Faça uma manutenção
“radical”. Veículos parados
no meio da viagem geram o triplo de emissões
•• Procure reduzir o peso dos veículos,
optando por componentes mais leves
•• Encaminhe pneus, lubrificantes,
baterias e lonas de freio usados aos estabelecimentos
de descarte competentes |
Na
empresa
••
Separe o lixo reciclável. Esta atitude
faz muita diferença
•• Economize papel. Evite imprimir
sem necessidade
••
Instale painéis solares para aquecer
a água. No longo prazo, você economizará
energia e dinheiro
•• Plante árvores. Elas são
aspiradores naturais de gás carbônico
•• Adquira aparelhos eficientes
no consumo de eletricidade
•• Utilize lâmpadas fluorescentes
compactas. Elas consomem 75% menos energia que
as outras
•• Mantenha o ar-condicionado
à sombra e regulado a 25ºC
•• Prefira abastecer automóveis
com álcool e não com gasolina
•• Forme uma comissão para
verificar como sua empresa pode economizar energia
•• Participe de projetos de preservação
ambiental. Faz bem para a imagem da empresa
e traz retorno financeiro
•• Analise o potencial de sua empresa
para gerar créditos de carbono. Esta
atividade pode beneficiar o planeta e ainda
proporcionar renda extra

|
|
Frota
que economizar
só
tem a ganhar
“100
empresas brasileiras já estão vendendo créditos
de carbono por poluir menos. Agora é a vez do transporte”
Ricardo Gustav Neuding, ATA Participações
A
Companhia de Transporte Metropolitano de Bangalore (BMTC),
da Índia, pode ser uma das primeiras empresas de transporte
do mundo a ter um projeto aprovado no Protocolo de Kyoto.
Sua proposta (troca de diesel comum por uma mistura com 20%
de biodiesel) está sendo avaliada desde 29 de abril
deste ano. Se aprovada, a empresa receberá créditos
de carbono – documentos que valem dinheiro, comprados
por empresas da Europa e do Japão, por exemplo, que
precisam emitir gases de efeito estufa além de suas
cotas
(veja quadro abaixo).
Com
este projeto, a BMTC pretende deixar de emitir anualmente
2.784 toneladas de CO2. Uma economia assim dá
a ela o direito de receber 2.784 créditos de carbono,
ou quase 53 mil euros (cerca de 145 mil reais)** por ano.
A BMTC, que tem 280 ônibus na frota, espera receber
estes créditos durante um período de 10 anos.
(**)
Cotações: 10 de maio/2007
A
vez do Brasil
“As
empresas brasileiras têm potencial para obter créditos
de carbono, inclusive no setor de transporte”, afirma
ricardo Gustav Neuding, da ATA Participações,
consultoria especializada neste mercado. Segundo ricardo,
100 projetos brasileiros já foram registrados pelo
protocolo de Kyoto. E, no total, entre projetos registrados
e aqueles que se encontram em avaliação, são
300 as propostas encaminhadas por empresas brasileiras.
“Há
uma grande demanda por créditos de carbono nos países
da Europa, além do Japão e Canadá”,
observa ricardo. “Estes países têm metas
rígidas de diminuição de suas emissões
de gases de efeito estufa”, conta. “Ou eles reduzem
suas emissões ou compram crédito dos países
que têm condições de fazer isso, como
o Brasil”, expõe. O consultor se refere aos países
do chamado Anexo 1, que assinaram o Protocolo de Kyoto e
estão controlando as emissões de CO2
das empresas instaladas em seu território.
Potencial
crescente
Diretor
executivo da Carbotrader, Arthur Augusto Clessie de Moraes
lembra que, com o maior rigor internacional no combate aos
gases do efeito estufa, há um um potencial crescente
no setor de transportes para o mercado de carbono. A Carbotrader
também atua na área de projetos ambientais.
“É
preciso pensar primeiro na sustentabilidade e não no
ganho financeiro”, orienta Arthur. “As empresas
precisarão dos créditos de carbono para repor
os gastos adicionais que irão ocorrer, a fim de viabilizar
a sustentabilidade do negócio”, equaciona. “Além
disso, há ganhos também para a imagem da empresa”.
Os
consultores acreditam que os grandes frotistas devem dar atenção
cada vez maior a este assunto, buscando adotar soluções
que envolvam tecnologias ambientalmente melhores. Para os
pequenos, uma possibilidade é se associar a outros
frotistas, formando parcerias em um único projeto.
Com isso se reduzem os custos, e depois os benefícios
podem ser divididos entre as empresas participantes.
Boas
notícias
No
início de maio, o Banco Mundial informou que o mercado
global de carbono triplicou, passando de 11 bilhões
de dólares em 2005 para 30 bilhões de dólares
em 2006. Uma boa notícia que se juntou a outra, pois
o relatório divulgado pelo Painel intergovernamental
de Mudanças Climáticas da ONU mostrou que ainda
é possível deter o agravamento do aquecimento
global. Se todos trabalharmos nisso agora, é claro.
Veja
mais
100
projetos
brasileiros já
foram registrados no
protocolo de Kyoto
300
empresas
do Brasil já
encaminharam projetos,
que estão sendo avaliados
US$
30 bilhões
foi o total movimentado
no mercado
global de carbono em 2006
(Fonte: Banco Mundial)
BMTC,
da Índia
poderá ser a
primeira transportadora do
mundo a receber créditos de carbono
|

Como
obter créditos de carbono*
1.
Prepara-se um documento dentro dos padrões definidos
pelo Protocolo de Kyoto. Este projeto deve apresentar
as atividades realizadas pela empresa que geram emissões
de gases de efeito estufa, e uma proposta de ação
para reverter este quadro
2.
Para ser validado, o projeto deverá ser avaliado
por uma empresa independente de auditoria, credenciada
pelo Protocolo de Kyoto
3. O projeto
é enviado para a Comissão interministerial
de Mudança Global do Clima, em Brasília,
para ser aprovado – o que pode levar de um a dois
meses
4.
Uma
vez aprovado, o projeto é enviado à sede
do Mecanismo de Desenvolvimento limpo (MDl), na cidade
de Bonn, Alemanha. Este órgão, que pertence
ao protocolo de Kyoto, avalia as propostas do mundo
todo. A resposta chega ao solicitante em aproximadamente
três meses. Se o projeto for aprovado, a empresa
autora passa a estar habilitada a emitir, ano a ano,
as reduções Certificadas de Emissões
(RCE), conforme o efetivo desempenho do que foi proposto.
São os chamados “créditos de carbono”
– ativos ambientais que poderão ser vendidos
a empresas que necessitam deles para cumprir suas obrigações
de redução de emissões de gases
de efeito estufa.
(*)
Os créditos de carbono são ativos de valor
flutuante no mercado, por isso estão sujeitos
à valorização ou desvalorização |
Uma
empresa
de
alma verde
“Nosso
objetivo é reunir parceiros em projetos em prol do
meio ambiente, buscando uma política internacional”
Nicolò Dubini, diretor-executivo da Pirelli Ambiente
O
grupo Pirelli está tão comprometido em contribuir
para a preservação dos recursos naturais do
nosso planeta que criou uma empresa só para cuidar
disso. é a Pirelli Ambiente, divisão do grupo
Pirelli responsável pela criação de soluções
em sintonia com o ideal do desenvolvimento sustentável.
Em
outras palavras, o trabalho da Pirelli Ambiente
é pesquisar, produzir e promover o uso de recursos
energéticos inovadores, capazes de prover o bem-estar
das pessoas, ao mesmo tempo em que reduzem o impacto ambiental.
Trata-se de uma das mais expressivas ações já
tomadas por uma única companhia na direção
do combate ao aquecimento global.
Tecnologia para o meio ambiente
A
presença da Pirelli no setor ambiental vem da consciência
de que a correta gestão dos temas ambientais é
um dos elementos-chave para o desenvolvimento sustentável
do grupo.
Nascida
no início de 2005, a Pirelli Ambiente oferece ao mercado
uma linha de produtos de baixo impacto ambiental e altíssimo
valor tecnológico, devido ao trabalho desenvolvido
durante décadas pelos laboratórios Pirelli –
que compõem o centro avançado de pesquisas do
grupo.
GECAM™, o diesel branco

Mistura de 10% do “diesel branco” é
capaz de reduzir em até 50% as emissões
do diesel convencional, na Europa |
“Diesel
branco”. Assim está sendo chamado um dos mais
promissores produtos da Pirelli Ambiente. Trata-se do GECAM™,
um combustível de emulsão de baixo impacto ambiental
que, quando utilizado na proporção de 10% em
uma mistura com o diesel atualmente utilizado na Europa,
é capaz de reduzir em até 50% as emissões
de poluentes como particulados e dióxido de nitrogênio.
Premiado
na edição de 2006 do Congresso Mundial de Energia
renovável (WREC), o GECAM™ já está
sendo utilizado em 10 mil ônibus e caminhões
na itália, França, república Tcheca e
China, e também em sistemas de aquecimento de 400 prédios
privados e públicos, contribuindo para a diminuição
da poluição em importantes áreas urbanas
da Europa.
A
Pirelli Ambiente informa que o “diesel branco”
é uma solução economicamente competitiva,
já que o produto vem sendo oferecido ao mercado nas
mesmas condições comerciais, logísticas
e de fornecimento do diesel convencional. Já existem
10 centros fabricando o Gecam™, sendo oito na itália,
um na França e um na China.
Filtros avançados para o diesel
Catalisadores de última geração |
Outra
iniciativa da Pirelli Ambiente no campo da sustentabilidade
dos transportes são os filtros especiais de pós-tratamento
de gases de motores diesel. A empresa assinou, no final de
2006, um acordo para a construção de uma fábrica
no sudoeste da romênia, onde produzirá catalisadores
de última geração para
motores a diesel, que serão utilizados pelas montadoras
como equipamentos originais de seus veículos.
A
construção da nova unidade começou em
janeiro e o início das operações está
previsto para o segundo semestre de 2008. Com duas linhas
de produção, a Pirelli pretende produzir 1.300
toneladas de filtros de carbono por ano, empregando cerca
de 400 pessoas.
Os
catalisadores com filtros particulados são sistemas
de tratamento com capacidade de eliminar mais de 90% das partículas
que saem dos motores diesel, reduzindo de maneira significativa
as emissões de gases de efeito estufa. São feitos
de carbureto de silício poroso, um material único
em termos de resistência ao calor e às mudanças
bruscas de temperatura.
Menos lixo, mais energia
Com
o objetivo de contribuir para a redução das
emissões de CO2 em até 5 milhões de toneladas
nos próximos cinco anos, a Pirelli Ambiente irá
produzir e fornecer, na Europa, América do Norte e
Ásia, o Cdr-P – combustível de baixo custo
obtido a partir do aproveitamento do lixo urbano. O Cdr-P
pode substituir parcialmente o uso de combustíveis
fósseis em fábricas de cimento e usinas termoelétricas,
por exemplo. Além disso, o novo combustível
contribui para a redução do acúmulo de
lixo nos aterros.
Compromisso
com o futuro do planeta
Soluções
para o aquecimento global - responsável
pela criação de produtos em sintonia com
o ideal de desenvolvimento sustentável, a Pirelli
Ambiente participou, em setembro de 2006, do segundo
encontro da Clinton Global Initiative (CGi),
em Nova York. Na ocasião, a empresa do Grupo
Pirelli se tornou a primeira companhia italiana a estabelecer
acordo com a organização fundada pelo
ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, para
o desenvolvimento de ações de sustentabilidade.
O
evento reuniu mais de 1.000 líderes internacionais
de diversos setores, incluindo 42 chefes de Estado,
com o objetivo de identificar e aplicar soluções
para problemas como aquecimento global, epidemias e
pobreza. Ao todo, foram produzidos 215 acordos
equivalentes a mais de 7,3 bilhões de dólares. |
| Confira
abaixo a lista das transportadoras, universidades, empresas
de consultoria e organizações citadas na
matéria
Transportadoras
Universidades
- USP
– Universidade de São Paulo – www.usp.br
- COPPE
– Coordenação dos Programas de
Pós-Graduação em Engenharia da
Universidade Federal do Rio de Janeiro – www.coppe.ufrj.br
- UFRJ
– Universidade Federal do Rio de Janeiro –
www.ufrj.br
Empresas de consultoria
Organizações
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