O que fazer
para crescer
Diretor-presidente
do grupo que leva o seu nome, Julio Simões analisa
o setor e mostra por que sua empresa é referência
no transporte de cargas
Aos
79 anos, o empresário defende que, para crescer neste segmento, trabalho, confiança e determinação são fundamentais em qualquer época
PIRELLI
CLUB TRUCK - A Julio Simões é considerada uma
das maiores empresas do setor de transporte de cargas do País.
Quais os fatores que a levaram a alcançar este posto?
SIMÕES - Um dos principais fatores que fizeram
o Grupo Julio Simões crescer foi buscar oferecer ao
cliente aquilo que ele precisava, e não apenas o que tínhamos condições
de realizar naquele momento. Para isso, tem
sido fundamental o empenho e a dedicação dos
colaboradores, verdadeira alma numa atividade de prestação
de serviços. Outra característica importante
é a simplicidade, é olhar um problema preocupado
em encontrar a solução e não em dramatizar
ainda mais a situação, relacionar as dificuldades
para atingir uma meta, um compromisso. Fazemos de um jeito
simples as atividades mais complexas ligadas ao transporte
para deixar as empresas cuidarem do seu negócio, daquilo
que elas são especialistas.
PIRELLI
CLUB TRUCK - A diversificação também
foi um dos caminhos para o crescimento?
SIMÕES - O Grupo Julio Simões se especializou
no atendimento das necessidades emergentes de seus clientes
na área logística. O relacionamento de longo
tempo com inúmeras empresas de todos os segmentos nos
habilitou a atender cada vez melhor diferentes tipos de necessidades,
diversificando nosso perfil de atuação. Por
outro lado,
as empresas que adotavam como política ter um grande
número de fornecedores, como forma de reduzir custos,
perceberam que é mais viável fidelizar o relacionamento
comercial. Com menor número de empresas contratadas
os preços são mais competitivos, atendendo as
expectativas do cliente.
PIRELLI
CLUB TRUCK - Há 50 anos na estrada, a Júlio
Simões já deve ter passado por situações
difíceis. Qual a receita para vencer as dificuldades?
SIMÕES - quando se percebe um indício de
dificuldade, a receita é encará-lo de frente
e com rapidez. Só assim será possível
reduzir os efeitos de um problema que começa pequeno,
mas que, sem a devida atenção, pode causar grande
impacto na empresa ou no relacionamento com o cliente. É
preciso ser humilde para reconhecer os erros, atacando-os
na raiz, para não se repetirem. Foi assim que sempre
buscamos trabalhar: corrigindo nossos erros e aprendendo com
eles.
PIRELLI
CLUB TRUCK - Quais ações a empresa desenvolve
em relação ao controle de emissão de
poluentes, antecipando- se assim às determinações
do protocolo de Kioto?
SIMÕES - A renovação permanente
da frota e a capacitação de motoristas para
atuar dentro dos padrões recomendados de uso de cada
veículo tem sido uma preocupação constante
não apenas por nosso desempenho operacional, mas também
no que se refere à preservação ambiental.
Como também atuamos na área de limpeza urbana,
temos um elevado grau de conscientização entre
nossos mais de sete mil colaboradores quando o assunto é
a separação de materiais
que podem ser reciclados. Disseminamos esse conceito para
a população, por meio de campanhas, distribuição
de folhetos e de propaganda em ônibus, como temos feito
em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
PIRELLI
CLUB TRUCK - No ano passado, quais os fatores que mais contribuíram
para o desenvolvimento do transporte de cargas e passageiros?
SIMÕES - Os únicos fatores que contribuíram
foram a inteligência e a ousadia das empresas de todos
os setores, muitas delas nossos clientes, que apostaram no
Brasil. A nós coube a tarefa de oferecer serviços
na área de transporte e em outras atividades. Em relação
ao que a iniciativa privada precisa para se desenvolver, nada
foi feito para
melhorar a infra-estrutura, reduzir a carga tributária,
atualizar a legislação trabalhista e incentivar
outros segmentos.
PIRELLI
CLUB TRUCK - Qual sua análise sobre o Programa Emergencial
de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas, realizado
em 2006?
SIMÕES - O Brasil necessita de investimentos constantes
em construção e manutenção de
rodovias, e tapar buracos deveria ser uma atividade de rotina,
não um programa emergencial. Mas o que temos visto
nas últimas décadas é um verdadeiro abandono
na maioria das rodovias brasileiras. As que apresentam hoje
melhor conservação e receberam investimentos
são as privatizadas ou administradas por órgãos
estatais que fixam pedágios caros, prejudicando a relação
custo–benefício desse tipo de viagem.
PIRELLI
CLUB TRUCK - Quais são as suas expectativas em relação
aos investimentos anunciados pelo governo para o setor nos
próximos quatro anos?
SIMÕES - Nossa esperança é que esses
investimentos sejam feitos imediatamente. A conservação
das estradas implica diretamente no custo do frete, porque
determina o tempo da viagem, o tráfego que os caminhões
irão enfrentar, o desgaste dos veículos e o
consumo de combustível. Essa equação
fica ainda mais complexa quando se leva em
conta a competitividade de nossos produtos para exportação,
o peso das deficiências da infra-estrutura de transporte
no “custo Brasil” e a insegurança de motoristas
profissionais que se dedicam a transportar o que o País
produz.
PIRELLI
CLUB TRUCK - O que é preciso para ser mais competitivo
neste setor?
SIMÕES
- Levantar cedo, dormir tarde, estimular cada vez mais seus
colaboradores e informá-los sobre o jeito de trabalhar
da empresa, que deve ser simples. Agora, cuidado mesmo é
com as contas. Os nossos custos estão altos e há
muita gente que acredita estar faturando muito. E é
verdade, mas está consumindo patrimônio sem sentir,
pois os gastos aumentam proporcionalmente ao faturamento.
Antes de sair comemorando, faça as contas.
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